Elisângela Dia

Transformando cicatrizes em pontes de esperança

Quando fala sobre liderança, Elisângela Dias evita associá-la a cargos, títulos ou reconhecimento. Para ela, liderar significa servir. Essa visão, que hoje orienta sua atuação como Diretora de Expansão Internacional da Jethro International, foi construída muito antes de ocupar posições de destaque em organizações humanitárias. Nasceu em meio às dificuldades, ao contato direto com a vulnerabilidade humana e à certeza de que toda transformação verdadeira começa quando alguém decide estender a mão ao próximo.

Atualmente, Elisângela atua conectando líderes, organizações e projetos comprometidos com o desenvolvimento humano em diferentes países. Seu trabalho na Jethro International envolve iniciativas ligadas à Capelania Internacional, Diplomacia Civil Humanitária, formação de lideranças e fortalecimento de redes de apoio social. Mas por trás dessa trajetória existe uma história marcada por superação, fé e recomeços.

“A Jethro International tornou-se minha segunda pele e também minha chave de acesso para alcançar lugares onde antes minha voz não conseguia entrar”, afirma.

A identificação com a missão da organização aconteceu de forma natural. Ao longo da vida, Elisângela compreendeu que o verdadeiro impacto social não nasce apenas de boas ideias, mas da disposição de agir diante das necessidades humanas. Essa convicção foi fortalecida pela própria experiência de vida.

Muito antes de atuar internacionalmente, ela enfrentou períodos extremamente difíceis. Sua infância e juventude foram marcadas por pobreza, fome e momentos de invisibilidade social. Houve períodos em que viveu em situação de rua, enfrentando uma realidade que poucas pessoas conseguem imaginar.

“Minha infância e juventude foram marcadas por muitas dificuldades, inclusive períodos de situação de rua, fome e invisibilidade social”, relembra.

Mesmo diante desse cenário, nunca abandonou a esperança de construir uma realidade diferente. “Sempre existia dentro de mim a certeza de que minha história não terminaria ali”, conta.

Para sobreviver, realizou diferentes trabalhos. Vendeu papelão, recolheu latinhas para reciclagem, fez faxinas e assumiu atividades que lhe permitissem continuar estudando e seguindo em frente. Cada desafio fortaleceu valores que mais tarde se tornariam a base da sua atuação profissional e humanitária.

“Aprendi muito cedo o valor da disciplina, da perseverança e da fé”, destaca.

O momento que transformou sua visão sobre a própria trajetória aconteceu justamente durante uma das fases mais difíceis da sua vida. Mesmo enfrentando dor, insegurança e escassez, percebeu que ainda conseguia enxergar a necessidade das pessoas ao seu redor.

“Mesmo sentindo dor, eu procurava ajudar quem estava ao meu redor”, recorda.

Ao oferecer apoio a outras pessoas em situação de vulnerabilidade, descobriu algo que mudaria sua história para sempre. “Quando eu ajudava alguém, aquilo também curava algo dentro de mim”, afirma. Foi desse entendimento que nasceu a missão que hoje orienta sua vida.

O Instituto Elisângela Dias surgiu a partir de uma experiência profundamente simbólica. Em um período em que buscava alimento em restos descartados por bares e restaurantes, encontrou uma Bíblia. Dentro dela, uma passagem despertou uma nova perspectiva sobre o futuro.

“Havia uma palavra dizendo que eu teria para dar e não para pedir emprestado”, relembra emocionada.

Aquela mensagem deu origem ao projeto “Fome de Pão, Sede de Deus”, iniciativa que se transformaria no ponto de partida para uma rede de ações sociais e humanitárias.

Ao lado do esposo, Diego Dias, Elisângela estruturou um trabalho que cresceu ao longo dos anos e passou a impactar milhares de pessoas. Entre os projetos que mais marcaram sua trajetória está o “Projeto Esther — Mulheres Chamadas para Governar”, desenvolvido para mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente em comunidades e quilombos.

“Muitas mulheres tinham talentos extraordinários, mas estavam totalmente desacreditadas pela realidade que viviam”, explica.

A iniciativa oferecia desenvolvimento pessoal, capacitação e fortalecimento da autoestima, ajudando mulheres a reconhecerem o próprio potencial. “O objetivo era fazer com que elas entendessem que não nasceram apenas para sobreviver”, ressalta.

Outro projeto de destaque foi o “Chegou a Minha Vez”, criado inicialmente para mulheres, mas posteriormente ampliado para homens e jovens em busca de orientação profissional e crescimento pessoal.

Somadas, as iniciativas lideradas por Elisângela já impactaram mais de 30 mil famílias no estado do Rio de Janeiro. Mesmo durante a pandemia, quando muitos projetos sociais enfrentaram dificuldades, o trabalho continuou ativo.

“A pandemia fortaleceu ainda mais o nosso compromisso com as pessoas”, afirma.

Toda essa experiência encontrou na Jethro International uma plataforma para ampliar alcance e conexões. A organização fortaleceu sua atuação humanitária e reforçou valores que já faziam parte da sua caminhada, como serviço, responsabilidade social, acolhimento e desenvolvimento humano.

Para Elisângela, a diplomacia civil é uma ferramenta capaz de aproximar pessoas, instituições e comunidades em torno de objetivos comuns. É também uma forma de construir soluções sustentáveis para desafios sociais cada vez mais complexos.

“Liderança verdadeira é responsabilidade, serviço, posicionamento, caráter e legado”, destaca.

Quando fala sobre o futuro, seu olhar permanece voltado para aquilo que sempre guiou sua trajetória: transformar vidas. O objetivo continua sendo criar oportunidades para que outras pessoas encontrem caminhos de reconstrução, assim como ela encontrou um dia.

“Quero ser lembrada como alguém que construiu pontes onde existiam muros”, afirma.

Talvez essa frase resuma melhor do que qualquer currículo a essência da sua jornada. Porque Elisângela Dias não construiu sua história apesar das cicatrizes. Construiu justamente a partir delas. E transformou cada uma em instrumento de acolhimento, esperança e transformação para milhares de outras vidas.

@ praelisangeladiasoficiall
@ institutoelisangeladias

Por: Myllena Sergel

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