Ketilly D’Osun:

A voz que transforma ancestralidade em ação, respeito e cidadania

Entre a fé, a cultura e o trabalho social, Ketilly D’Osun construiu uma trajetória dedicada a promover inclusão, liberdade religiosa e transformação comunitária.

A trajetória de Ketilly Teles Valentim Jung, conhecida como Iyalorixá Ketilly D’Osun, é marcada exatamente por esse papel. Ao longo dos anos, ela transformou sua atuação religiosa em um movimento de acolhimento, valorização cultural e impacto social que ultrapassa os limites dos templos e alcança milhares de vidas.

Presidente do Instituto Cultural Jung e do Ilê Asé Opará Obá Bará Omi, Ketilly dedica sua caminhada à preservação da ancestralidade afro-brasileira, ao fortalecimento da liberdade religiosa e à construção de oportunidades para comunidades em situação de vulnerabilidade. Mas sua história vai muito além da liderança religiosa.

Em um cenário onde a intolerância ainda representa um desafio para muitas tradições de matriz africana, ela escolheu transformar resistência em diálogo e representatividade em ação concreta. Essa missão ganhou ainda mais força através de sua atuação institucional. Como Embaixadora da Liberdade Religiosa e Diplomata Civil da Jethro International, Ketilly passou a ampliar sua voz em defesa do respeito às diferenças e dos direitos fundamentais.

“Atualmente atuo para fortalecer o diálogo, o respeito às diferenças e a promoção dos direitos humanos, especialmente das tradições de matriz africana”, destaca.

Seu ingresso na Jethro representou mais do que uma nova função. Foi a oportunidade de integrar uma rede internacional comprometida com valores que sempre fizeram parte de sua trajetória: inclusão, cooperação e construção de uma cultura de paz. Dentro da organização, ela tem contribuído com ações voltadas à conscientização sobre liberdade religiosa, combate à intolerância e fortalecimento de iniciativas culturais e sociais.

O objetivo é criar conexões entre diferentes segmentos da sociedade, promovendo respeito mútuo e convivência harmoniosa.

Uma das experiências mais marcantes dessa jornada foi perceber que existia um espaço genuíno para o diálogo e para a construção coletiva de soluções.

“Poder representar minha comunidade e contribuir para causas que promovem dignidade, respeito e cidadania tem sido extremamente gratificante”, afirma.

Essa busca por transformação social acompanha Ketilly muito antes de sua atuação na diplomacia civil. O Instituto Cultural Jung, atualmente sob sua presidência, carrega uma história construída ao longo de mais de quatro décadas. Fundado em 1982 a partir do tradicional Templo de Umbanda Caboclo Ubirajara e Vovó Nhá Benta, o instituto tornou-se referência em acolhimento espiritual, promoção cultural e ações solidárias.

Sob sua liderança, a instituição expandiu significativamente seu alcance social. Distribuição de alimentos, entrega de roupas e cobertores, apoio a aldeias indígenas, campanhas solidárias e promoção de eventos culturais afro-brasileiros fazem parte das iniciativas desenvolvidas regularmente. Entre os projetos de maior impacto está a tradicional Festa das Crianças realizada anualmente em 12 de outubro. A ação já beneficiou mais de cinco mil crianças com distribuição de brinquedos, alimentação gratuita, atividades recreativas e ações educativas.

Para Ketilly, cada projeto representa uma oportunidade de colocar em prática valores que ultrapassam qualquer crença religiosa. Afinal, a solidariedade não possui fronteiras. Paralelamente ao trabalho social, sua atuação também se destaca na defesa da cultura afro-brasileira e da liberdade religiosa em espaços institucionais. Ela integra diversos conselhos e fóruns ligados à promoção da igualdade racial, direitos das mulheres, cultura, segurança alimentar e diálogo inter-religioso.

Essa presença ativa permitiu que participasse de importantes conquistas para a valorização das tradições de matriz africana. Entre elas está a idealização do Troféu Raízes Ancestrais de Itanhaém, considerado um dos principais reconhecimentos dedicados à preservação da cultura afro-brasileira no município. Também esteve entre as lideranças que contribuíram para a implantação da legislação municipal inspirada na Lei Federal 14.519/2023, fortalecendo o reconhecimento oficial do Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé.

Outro projeto emblemático foi a idealização da instalação da imagem de Iemanjá em Itanhaém, iniciativa voltada à valorização da ancestralidade, da cultura afro-brasileira e do turismo religioso. Ao longo dessa caminhada, a Jethro também passou a influenciar sua forma de liderar e atuar profissionalmente.

“A organização fortaleceu ainda mais meu compromisso com a ética, a responsabilidade social e a defesa dos direitos fundamentais.”

Essa experiência ampliou sua visão sobre liderança comunitária e diplomacia, fortalecendo sua capacidade de desenvolver projetos que conectam diferentes setores da sociedade em torno de objetivos comuns. Quando fala sobre o futuro, Ketilly mantém o foco na construção de uma sociedade mais inclusiva, onde a diversidade seja reconhecida como uma riqueza e não como uma barreira. Para aqueles que pensam em ingressar na Jethro, sua mensagem é simples e direta.

“É um espaço de aprendizado, troca de experiências e construção de projetos que impactam positivamente a vida das pessoas.”

Talvez seja essa a essência de sua trajetória. Não apenas preservar tradições, mas transformá-las em instrumentos de acolhimento, educação e cidadania. Porque, quando a ancestralidade guia o caminho e a ação acompanha o propósito, a transformação deixa de ser uma ideia e passa a fazer parte da vida de toda uma comunidade.

@ketillyjung


Por: Myllena Sergel

Myllena Sergel
Myllena Sergel
Myllena Sergel é jornalista, editora e fundadora da Wiser Magazine, onde conecta pessoas, negócios e histórias que inspiram através da comunicação e do jornalismo.

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