Sônia Crisóstomo:

Felicidade, propósito e a construção de pontes humanas

Temas como felicidade, bem-estar e desenvolvimento humano costumam ser tratados como conceitos abstratos. Para Sônia Crisóstomo, porém, eles se transformaram em ferramentas concretas de transformação social. É essa visão que ela leva para sua atuação como Diplomata Civil Humanitária da Jethro International, onde desenvolve iniciativas voltadas ao fortalecimento comunitário, à liderança consciente e à promoção da dignidade humana.

Ao integrar a organização, Sônia encontrou um ambiente alinhado aos valores que passaram a orientar sua trajetória nos últimos anos. “Encontrei uma organização que compartilha princípios muito próximos daqueles que passaram a orientar minha própria jornada: dignidade humana, cooperação internacional, desenvolvimento social e construção de pontes entre pessoas, culturas e comunidades”, afirma ao recordar seu primeiro contato com a Jethro.

Hoje, sua missão dentro da organização está ligada à promoção do desenvolvimento humano e à criação de conexões capazes de gerar impacto positivo. Através de projetos, eventos e iniciativas institucionais, procura aproximar temas como felicidade, saúde emocional, liderança consciente e bem-estar das ações humanitárias e sociais desenvolvidas pela entidade.

“Acredito que grandes transformações acontecem quando pessoas e instituições trabalham juntas em torno de um propósito comum”, destaca.

Essa atuação representa uma nova etapa de uma trajetória construída ao longo de décadas de experiência profissional. Antes de dedicar-se integralmente ao desenvolvimento humano, Sônia consolidou uma carreira de 35 anos no setor de Tecnologia da Informação, ocupando posições de liderança em grandes empresas nacionais e multinacionais. Durante esse período, participou de projetos estratégicos e acumulou experiência em gestão, inovação e desenvolvimento organizacional.

Com o passar dos anos, porém, percebeu que os maiores desafios enfrentados pelas organizações raramente eram apenas tecnológicos.

“A tecnologia era o meio. O ser humano sempre foi o centro”, explica.

Foi essa compreensão que a conduziu a uma profunda transição profissional, direcionando seu trabalho para áreas ligadas ao comportamento humano, à felicidade e ao bem-estar. Hoje, atua como Country Manager da World Happiness Foundation em Portugal, liderando iniciativas voltadas à promoção da qualidade de vida individual e organizacional. Seu trabalho envolve programas de certificação em bem-estar corporativo, projetos comunitários e ações voltadas ao florescimento humano.

A mudança para Portugal também desempenhou um papel importante nesse processo de transformação. Aos 56 anos, Sônia tomou uma das decisões mais marcantes da sua vida: recomeçar em outro país. A mudança aconteceu no início da pandemia da COVID-19 e trouxe desafios que ela jamais poderia prever. O plano inicial era simples. Ela chegaria primeiro e, alguns meses depois, o marido se juntaria a ela. Mas o fechamento das fronteiras alterou completamente os planos.

“Permaneci sozinha durante oito meses, em pleno lockdown, distante da família, dos amigos e de todas as referências que me eram familiares”, relembra.

O período foi marcado por solidão, adaptação e reflexão. O que inicialmente parecia uma adversidade acabou se transformando em uma oportunidade de autoconhecimento. “A solidão, que inicialmente parecia uma adversária, tornou-se uma professora silenciosa”, conta.

Pouco antes da mudança, Sônia também enfrentou perdas profundas com o falecimento dos pais. A soma desses acontecimentos acabou transformando a imigração em muito mais do que uma mudança geográfica. “Era o início de um novo capítulo, em um momento em que eu precisava encontrar novos significados para a minha própria trajetória”, recorda.

A escolha por Portugal nasceu de uma conexão construída ao longo de muitos anos de viagens profissionais. Mas foi um momento aparentemente simples que definiu seu destino. Durante uma visita ao país, precisou resolver uma questão bancária em São João do Estoril. Ao percorrer de comboio a região costeira entre Lisboa e Cascais, sentiu algo que nunca havia experimentado antes. “Foi uma sensação imediata de pertencimento”, relembra.

Naquele dia, decidiu silenciosamente que faria daquele lugar sua nova casa. Os desafios de adaptação, no entanto, exigiram preparação emocional, resiliência e capacidade de reconstrução. Sônia acredita que muitas pessoas romantizam a imigração e esquecem que o processo envolve também saudade, insegurança e períodos de dúvida. “O medo raramente oferece bons conselhos”, observa.

Talvez por isso sua atuação profissional esteja cada vez mais voltada para ajudar pessoas a desenvolverem recursos internos capazes de enfrentar mudanças e construir novas possibilidades. Dentro da Jethro International, essa visão encontrou espaço para crescer. A organização ampliou sua compreensão sobre liderança humanitária e fortaleceu sua convicção de que serviço e influência caminham juntos.

“A verdadeira influência não está apenas na autoridade formal, mas na capacidade de mobilizar pessoas em torno de causas que geram benefício coletivo”, ressalta.

Ao olhar para o futuro, Sônia mantém o foco na expansão de projetos ligados à felicidade, ao bem-estar e ao desenvolvimento humano. Seu objetivo é ampliar o alcance dessas iniciativas para além de Portugal, criando conexões entre comunidades, organizações e lideranças comprometidas com uma visão mais humana de progresso.

“Se existe um sonho que continua me movendo todos os dias, é contribuir para a construção de um mundo onde felicidade, bem-estar e dignidade não sejam privilégios de poucos, mas oportunidades acessíveis a todos”, conclui.

@soniacrisostomo


Por: Myllena Sergel

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