A mulher que transformou o recomeço em um império de esperança
Quando recebeu a missão de atuar como Diplomata Civil Humanitária Internacional, Mairim Sanguino enxergou naquele reconhecimento algo muito maior do que um título. Para ela, era a confirmação de uma jornada construída ao longo de décadas ajudando pessoas a reconstruírem suas vidas.
Hoje, através da diplomacia civil, do empreendedorismo e de projetos voltados ao desenvolvimento humano, ela utiliza a própria história como ferramenta de transformação. Sua atuação está alinhada aos princípios que defende diariamente: liderança com propósito, acolhimento, cooperação e impacto social. Mas o caminho até chegar a essa posição foi marcado por desafios que poderiam ter interrompido qualquer sonho.
“Eu nunca aceitei que a minha história terminasse na dor”, afirma.
Nascida em Ciudad Bolívar, na Venezuela, em 18 de fevereiro de 1973, Mairim cresceu em uma família simples, cercada pelos ensinamentos dos pais, Dona Miriam e Don Juan. Desde cedo, carregava uma convicção que mais tarde definiria toda a sua trajetória.
“Mesmo sem recursos, eu sempre senti dentro de mim que tinha nascido para empreender”, relembra.



Ainda adolescente, precisou amadurecer rapidamente. Tornou-se mãe solteira aos 15 anos e passou a enfrentar responsabilidades que mudaram completamente sua vida. Enquanto muitas jovens ainda buscavam descobrir seus caminhos, ela já lutava diariamente para sobreviver e criar os filhos com dignidade.
Foi nesse período que começou a desenvolver a mentalidade empreendedora que a acompanharia por toda a vida. Aos 14 anos, vendia gelados artesanais. Mais tarde, ingressou no universo das vendas e da cosmética, onde descobriu uma habilidade natural para os negócios, a liderança e o relacionamento com pessoas.
“Eu entendia que precisava criar oportunidades, porque ninguém faria isso por mim”, recorda.
Com coragem e visão de futuro, passou a expandir seus negócios ainda muito jovem. Aos 19 anos, já realizava viagens comerciais entre Venezuela, Brasil e Colômbia, construindo conexões e ampliando sua atuação profissional.
O crescimento foi rápido. Mairim fundou empresas, abriu lojas físicas e estruturou um armazém de vendas por grosso na Venezuela. Ao mesmo tempo, construía aquilo que considera sua maior realização: a criação dos filhos Xavier, Pedro e Alexander Oropeza. Mas a vida ainda lhe reservaria uma das decisões mais difíceis da sua história.
Após vivenciar episódios traumáticos de violência, incluindo assaltos que colocaram sua família em risco, compreendeu que precisava buscar um novo começo.
“Chegou um momento em que eu entendi que precisava salvar não apenas os meus sonhos, mas a minha família”, conta.
Em julho de 2014, deixou a Venezuela e chegou a Portugal praticamente sem um plano estruturado. Mais uma vez, precisou começar do zero. A empresária que antes liderava negócios passou a trabalhar na limpeza de ruas e como ajudante de cozinha enquanto reconstruía a própria vida. “Não existe trabalho pequeno quando você está lutando para sobreviver”, afirma.
Os desafios da imigração trouxeram obstáculos emocionais, financeiros e culturais. Adaptar-se a uma nova realidade exigiu humildade, disciplina e perseverança. Ainda assim, havia algo que permanecia intacto: a capacidade de acreditar no futuro.
Em 2015, iniciou uma nova etapa na área da estética e da beleza. O que começou como uma tentativa de retomar a estabilidade profissional rapidamente transformou-se em crescimento empresarial. Entre 2018 e 2019, abriu três lojas físicas próprias e voltou a consolidar seu espaço no mercado. Quando a pandemia chegou, mais uma vez foi obrigada a se reinventar.
“Aprendi que quem sobrevive é quem consegue adaptar-se sem perder a essência”, destaca.
Durante esse período, fortaleceu sua atuação digital, ampliou seus projetos e começou a transformar sua experiência de vida em uma ferramenta de impacto humano.
Foi justamente essa visão que aproximou ainda mais sua trajetória da diplomacia civil e da atuação humanitária. Ao longo dos anos, Mairim percebeu que muitas pessoas enfrentavam dores semelhantes às que ela viveu: medo, insegurança, baixa autoestima e a sensação de não enxergar uma saída. Em vez de guardar suas experiências para si, decidiu transformá-las em direção para outras vidas.
“Se eu consegui levantar depois de tudo o que vivi, outras pessoas também conseguem”, afirma.


Hoje, além de empresária, esteticista, micropigmentadora, mentora e palestrante internacional, desenvolve projetos voltados ao fortalecimento emocional e ao crescimento pessoal. Entre eles está o método Lumiregen e o projeto social humanitário “Do Zero ao Sucesso – O Espelho da Esperança”, criado para ajudar pessoas a recuperarem autoestima, confiança e independência emocional e financeira.
Também desenvolveu o método “Pensa, Alinha, Prospera”, inspirado nas lições que aprendeu ao longo da vida sobre mentalidade, fé, posicionamento e empreendedorismo.
Através da marca Golden Vision, continua expandindo sua atuação internacionalmente, levando mensagens sobre liderança, prosperidade, superação e desenvolvimento humano para diferentes países.
“Hoje eu entendo que a minha dor nunca foi o fim da minha história. Ela foi a preparação para a minha missão”, reflete.
Ao olhar para sua trajetória, fica evidente que sua história não é apenas sobre empreendedorismo ou superação. É sobre reconstrução, coragem e propósito. Mairim Sanguino transformou os próprios desafios em ferramentas de impacto social e encontrou na diplomacia civil uma forma de ampliar essa missão. Sua caminhada mostra que recomeçar nem sempre é uma escolha, mas decidir o que fazer com esse recomeço pode mudar completamente o destino de uma vida.
@mairimsanguinooficial
Por: Myllena Sergel
