Cleia Couto: A brasileira que transformou o recomeçoem força e identidade na Europa

Muitas pessoas deixam o Brasil em busca de oportunidades. Outras partem tentando fugir de crises, perdas ou ciclos difíceis. Mas existem mulheres que atravessam oceanos levando consigo algo ainda mais poderoso: a decisão de não desistir de si mesmas. Cleia Couto é uma dessas mulheres.

Hoje reconhecida na Europa pelo trabalho na área da estética avançada, comunicação e posicionamento feminino, Cleia construiu uma trajetória marcada por coragem, reconstrução e transformação humana. Natural de Inhumas, no interior de Goiás, ela sempre enxergou a beleza de uma forma muito diferente da maioria das pessoas. “Para mim, beleza nunca foi apenas estética. Sempre enxerguei a beleza como uma ferramenta de transformação emocional e humana”, afirma.

Muito antes da Espanha, dos projetos internacionais e da consolidação da marca Super Close, Cleia já possuía uma trajetória sólida no Brasil. Formada em Administração, Marketing e Finanças, trabalhou durante dez anos como gerente comercial em uma multinacional americana. Paralelamente, alimentava outra paixão: o universo da beleza.

Foi assim que nasceu o primeiro studio estético da sua carreira, conciliado durante quase uma década com a atuação corporativa. Mais tarde, surgiu a oportunidade de investir em uma franquia no Brasil, uma decisão que mudaria completamente sua vida. “Confesso: foi a pior decisão que tomei na vida. Mas tudo na vida é aprendizado”, revela Cleia Couto.

A experiência trouxe dificuldades financeiras, desafios empresariais e a necessidade urgente de recomeçar. Inicialmente, sua ida para a Europa seria temporária. O objetivo era levantar recursos para reorganizar os negócios no Brasil. Mas os planos mudaram completamente. “Eu decidi vir para passar uma temporada curta. Esses quatro meses acabaram se transformando em sete anos”, conta.

A escolha pela Espanha aconteceu pela conexão que sentiu com o país, a cultura e as possibilidades de crescimento pessoal e profissional. Hoje, divide a rotina entre Ibiza e outros projetos pela Europa, vivendo uma fase de expansão que ela define como uma reconstrução de identidade. Mas o início esteve longe de ser fácil. “Quando você imigra, não muda apenas de país. Você muda de identidade, rotina, idioma, cultura e até a forma como o mundo te enxerga”, explica.

Os primeiros meses foram marcados por dificuldades emocionais, financeiras e pelo medo constante vivido por muitos imigrantes em situação irregular. Cleia fala sobre esse período com sinceridade, sem romantizar os desafios. “O viver fugindo da polícia, o receio da deportação e o medo de não dar certo ensinam mais do que qualquer universidade”, afirma.

Ao longo dessa caminhada, encontrou apoio em pessoas que considera fundamentais na sua reconstrução, como Kenia Medeiros, Adenilson Medeiros, Jarleane Cardoso, Jessica Melo, Mônica Silva, seu irmão Cledimar Silva, Clenia Silva, Thays Martins e Luis Lucas. “Jamais podemos esquecer quem esteve ao nosso lado desde o princípio do recomeço”, diz.

Mesmo diante das dificuldades, Cleia nunca abandonou aquilo que mais acreditava: o poder da autoestima como ferramenta de transformação. Foi dessa visão que nasceu o Super Close Design, seguido pelo Super Close Academy e pelo Super Close Digital, projetos voltados à estética, posicionamento, comunicação e fortalecimento pessoal. Mais do que uma marca, o conceito “Super Close” se tornou uma filosofia. “É um convite para que as pessoas voltem a olhar para si mesmas, para os seus negócios, para os seus sonhos e para a própria identidade”, explica.

Hoje, Cleia atua como especialista em Estética Avançada Coreana Facial e Corporal, micropigmentadora, maquiadora, nail designer, lash designer e palestrante. Mas ela acredita que seu verdadeiro trabalho vai muito além dos procedimentos estéticos. “Eu trabalho com transformação emocional, identidade, confiança e fortalecimento feminino”, afirma.

Ao longo da trajetória na Europa, também precisou enfrentar barreiras emocionais profundas, especialmente relacionadas à solidão, julgamentos e à falta de apoio de algumas pessoas. “A maior barreira emocional foi aprender a lidar com a solidão do recomeço”, relembra.

Ainda assim, cada dificuldade ajudou a construir uma versão mais forte de si mesma. E foi justamente quando entendeu que sua história não representava fracasso, mas reconstrução, que tudo começou a mudar. “Hoje percebo que minha trajetória inspira muitas pessoas justamente porque ela não é perfeita. Ela é real”, diz.

Atualmente, Cleia também inicia uma nova fase ligada à comunicação internacional. A parceria com o empresário Rikardo abriu espaço para projetos envolvendo televisão, eventos, empreendedorismo e conexões entre Europa e Brasil. Entre os novos desafios está sua atuação como repórter e representante do SBT Barra, TV Garça e Grupo Pérolas na Espanha e na Europa. “O convite foi uma surpresa positiva e acredito que essa parceria ainda vai gerar muitos frutos”, afirma.

Quando fala sobre propósito, Cleia deixa claro que sua missão vai além do crescimento profissional. Seu objetivo é inspirar outras pessoas, especialmente mulheres e imigrantes, a acreditarem que sempre é possível reconstruir uma vida com dignidade e coragem. “Quero mostrar que nunca devemos ter vergonha de recomeçar”, afirma.

E talvez seja exatamente isso que torna sua trajetória tão forte. Cleia Couto não construiu sua história baseada em perfeição. Ela construiu através da coragem de continuar mesmo quando tudo parecia incerto. Hoje, transforma a própria caminhada em inspiração para outras pessoas entenderem que recomeçar não significa voltar ao início, significa criar uma nova versão de si mesmo.

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Por: Myllena Sergel

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